Sunday, April 05, 2009

Gente doida

Gente, eu sei que era verão. Mas o mundo virtual não tem estações, então posso dizer que eu estava hibernando. E planejava continuar, sinceramente. Só que alguns comentários malucos me fizeram sair da toca. Aconteceu o seguinte: numa outra vida, quando eu era estagiária na Unisc TV, tive a oportunidade de entrevistar e Eliane Brum. A renomada repórter especial da Época, famosa seus textos jornalístico-literários, palestrou na Universidade de Santa Cruz do Sul e eu, que já havia lido "A vida que ninguém vê" e algumas outras reportagens dela, fiquei ainda mais impressionada. Inteligência e humildade não costumam andar juntas. Sua sensibilidade foi inspiradora, por isso escrevi do tal encontro aqui no blog.
O post, longíquo, estava lá paradinho, nos arquivos do autobiográfico. Até semana passada. Comecei a receber comentários vociferantes sobre a burrice de Eliane Brum. Diziam que ela era desinformada e mentirosa - duas acusações graves no meio jornalístico. Como os textos eram muito mal escritos, cheios de erros gramaticais e de concordância, não entendi bem a situação. Mas, pelo que li, a Eliane teria feito uma matéria para a Época sobre as dificuldades de uma cidade no norte do país, algo meio faroeste. E uma espécie de bairrismo local revoltou os internautas.
Todo o mundo tem o direito de se indignar. Eu mesma, que admiro a revista, principalmente o seu design gráfico, fiquei decepcionada com os textos pobres de uma edição recente. Mas não há motivo suficiente para sair chamando o pessoal de desqualificado. Aviso aos navegantes: se vão falar mal da Eliane Brum sem fundamentos e, ainda por cima, com desrespeito, vão comentar em outro blog! Ou, pelo menos, aprendam a escrever um pouquinho melhor. Frases sem pé nem cabeça é que são insulto a qualquer ideia.
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Voltarei à toca. Até qualquer dia desses.

Thursday, November 27, 2008

Quote

"Não existe provavelmente nenhuma distinção estrita entre o animal lingüístico e os outros animais, mas existe um imenso abismo entre o animal irônico e os outros animais. Criaturas cuja vida simbólica é rica o suficiente para permitir-lhes ser irônicas estão em perpétuo perigo."
A idéia de cultura - Terry Eagleton

Wednesday, October 29, 2008

Cérebro em colapso?

Uma frase de músicas misturadas tem me perseguido. Sempre que precisava limpar a cabeça, num desespero em apagar os últimos pensamentos, eu costumava ouvir a primeira frase de Blowing in the wind. Meu cérebro cantava "how many roads must a man walk down, before they call him a man". Mas não na voz de Bob Dylan e, sim, na versão de Peter, Paul and Mary.
Ultimamente tenho escutado algo do tipo Jamie Cullum meets Beck.
"I'm a twentysomething, so why don't you kill me?"
Acho que gostava mais da outra música. Ela existia, ao menos.

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Ouvi com mais atenção o novo álbum do Beck, Modern Guilt, e o disco de estréia da atriz Scarlett Johansson, Anywhere I lay my head (composto por covers do Tom Waits e uma música própria). Nos dois trabalhos ouvi ecos de Neil Young. Não sei exatamente em que partes. Não sei se havia mesmo alguma referência. Deve ser a maneira de o meu cérebro me dizer que já passei tempo demais sem ouvir Neil Young. Deve ser alguma saudade estranha.

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Eu devia estar me concentrando em Thompson, em Wolf, no discurso das mídias e na idéia de cultura. Eu devia estar escrevendo sobre os indies e suas aparições na imprensa. Mas antes eu preciso dizer mais uma coisa: algo tem de estar errado quando um jornalista musical vai ao Tim Festival e não assiste aos shows de jazz, não passa nem perto, não dá nem uma espiadinha. Ou não. Quem sou eu para questionar o poder de sedução do "novo rock".

Monday, October 20, 2008

Fanzice

Como é difícil ser fã! Assim que soube que o Vitor Ramil era um dos indicados ao Prêmio Fato Literário 2008, imediatamente quis gabar-me e dizer por aí que ele não é apenas um fato - e, sim, um marco histórico, um fenômeno! Aí lembrei que ainda não li nenhum de seus livros. Nem o "Pequod", nem o recém-lançado "Satolep" e muito menos o que imagino ser um ensaio, "A estética do frio". Devo não ser tão fã assim. Mas ainda quero que ele ganhe o prêmio. Vou votar logo depois de conferir o "Pequod", o qual, até pouco tempo, estava disponível em PDF no site oficial do cantor. Devo ser fã o bastante para ter descoberto que o arquivo estava lá. Né?
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Esses cantores da tal MPG me fascinam, não tem jeito. Quase nem consigo relativizar e reconhecer quando eles fazem algo não muito legal - é difícil dizer ruim. Fico também um tanto ofendida quando outros artistas gravam músicas deles. Sempre acho que não estão à altura ou que não se esforçaram o suficiente. Foi o que aconteceu com a cantora Adriana Deffenti, que canta maravilhosamente e tudo o mais, mas estragou "Foi no mês que vem", canção do Vitor incluída no segundo álbum dela. Faltou sensibilidade ou sinceridade ou umas dessas coisas subjetivas que os fãs leigos costumam apontar. Nem mesmo o Caetano Veloso me convenceu ao interpretar "Pra te lembrar", do Nei Lisboa. Não que eu seja muito cabeça dura, só um pouco.
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Antes que vocês pensem que eu sou uma cega adoradora de ídolos, devo dizer que o último álbum do Nei Lisboa também não me convenceu. "Translucidação", de 2006, saiu meio sem graça. Mas talvez eu não tenha dado chances o suficiente para o disco. Vejam bem, quando falo desses artistas tão caros, não sou cega; só tenho hipermetropia e astigmatismo, como na vida real. As percepções pessoais destróem qualquer realidade mais racional. E talvez seja por isso que eu gostei tanto de um DVD produzido pelo Itaú Cultural, em 2004, como registro da turnê de "Relógios de Sol". O making of, com longos depoimentos do próprio Nei Lisboa e ainda declarações do jornalista Arthur de Faria e do guitarrista e produtor Paulinho Superkovia, é banquete para fã. Eu nunca tinha ouvido falar desse DVD, ganhei de presente e não sei onde se pode encontrar. E eu não empresto!
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E chega, né? De vez em quando (sempre) tenho essas loucuras de querer falar de música e me passo. Ainda queria escrever sobre Leandro Maia, Vanessa Longoni e Festival Jazz às Pampas, mas chega. Esqueço que estou sempre a criticar esse pessoal de vinte e poucos anos que acha que entende muito e só fala bobagem - inclusive na grande imprensa. Longe de mim tornar esse blog mais pretensioso do que já é!

Monday, October 13, 2008

Um presente oportuno

Definitivamente, o melhor de uma formatura são os presentes que a gente ganha. Eu agora tenho um bom estoque de semi-jóias e bijuterias, além de cremes e enfeites para a casa. Presentes lindos e essencialmente femininos. E que eu precisava ganhar, pois é bem provável que eu nunca os comprasse para mim mesma. No entanto, várias pessoas lembraram que livros são um dos meus regalos preferidos e, curiosamente, o mais feminino deles veio nesta forma. Histórias de mulheres, da espanhola Rosa Montero, foi uma surpresa, tanto em relação ao maravilhoso texto da autora quanto ao tema.

Confesso, só li o livro porque o ganhei. Nunca o compraria. Sempre tive receio quanto ao corporativismo feminista e a coisas declaradamente femininas: elas costumam ser chatas, assim como são muitas mulheres. Porém, o livro de Montero não é um romance açucarado sobre a força inabalável da mulher e a sua capacidade de gerar a humanidade. Neste caso, o que as mulheres mais geram são boas histórias. Como colunista, Rosa Montero traçou perfis de escritoras, intelectuais e artistas famosas, mas também de sombras, mulheres que causaram impacto no seu tempo e que foram, contudo, largadas ao esquecimento.

"Por trás da insipidez de nossa amnésia coletiva, portanto, oculta-se uma variegada paisagem de mulheres extraordinárias - algumas admiráveis, outras infames. Todas têm em comum uma traição, uma fuga, uma conquista: traíram as expectativas que a sociedade depositava nelas, fugiram de seus limitados destinos femininos, conquistaram a liberdade pessoal." Às palavras da introdução de Montero, posso acrescentar que todas tinham em comum um objetivo ou uma necessidade que as movia para a extraordinariedade. Precisavam escrever, esculpir, compor, produzir tratados antropológicos, ter carreira acadêmica ou dedicar-se exclusivamente ao marido. Eram as funções que as definiam. E descobri, com este presente oportuno, que o pior de uma formatura é ter um diploma cujas atribuições não te definem. Nem como profissional, nem como mulher.

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"Desde então, devoro meus livros...temo já ter perdido a fé." (O som do fim ou tanto faz - Fruet e os Cozinheiros)

Wednesday, October 01, 2008

Além das expectativas

Percebi, bem cedo, que a vida pode ser dura. Mesmo para uma menina de classe média, longe de agruras físicas ou econômicas mais sérias, certas condições têm cara de desastre. Primeiro, quando nasci, meus pais eram adolescentes. O resultado certamente saiu melhor que a encomenda, mas ao custo de bastante esforço - meu e deles - para driblar estigmas sociais e a falta de experiência. Depois, aos quatro anos, descobriram que eu não enxergava nada bem. No jardim da infância, eu já usava óculos. E, ainda por cima, aprendi a ler antes dos seis anos. Na primeira série, então, eu estava um pouco adiantada em relação ao conteúdo. Como vocês podem imaginar, as crianças não costumam ser muito legais com quatro-olhos gordinhas que lêem melhor que elas. Para completar, eu não fui batizada e estudava em colégio católica. Uma pagã entre os maristas...

Com o histórico de inadequação a estereótipos, é lógico pensar que eu também não me ajustaria normalmente em outras questões. A paixão foi uma delas. Perdi a paciência com os meninos muito rápido. Logo, eu não aceitaria nada menos que um homem. E isso foi difícil de achar. Não, na verdade não foi, se considerar que o encontrei aos 19 anos. Como afirmou Rob Fleming, o mais célebre personagem de Nick Hornby, são poucas as pessoas que têm medo de ficar sozinhas para sempre aos 26 anos. Eu sou de uma espécie ainda mais rara, que vive este temor antes dos 20. Porém, para não contrariar a linha de desajustes, escolhi logo o que eu não podia ter. E aí eu sofri, sofri, sofri. Um sofrimento que eu nem sabia que existia. Chorei lágrimas que pareciam não secar, sussurrei letras de Joni Mitchell, xinguei Deus, o cosmos, os astros e todas as casualidades do universo.

Mas aí, como tem acontecido com quase tudo até agora, as coisas acabaram bem no final. E, por um outro ângulo, estão em um novo começo. Disse isso tudo apenas para dar parabéns por escrito a Luke Faro, que comemorou ontem, 30 de setembro, mais um aniversário - o terceiro comigo. Vejam só, a sorte pode mudar. Afinal, já dizia Tom Petty, "even the losers get lucky sometimes".

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O autobiográfico volta em breve, com textos mais "jornalísticos". Ou não.

Friday, September 26, 2008

MEME

Segundo a Eve, um MEME é a criação de um post que deve ser publicado também por outras pessoas, mas com a adaptação para o ponto de vista de cada uma. Só porque esta é mais uma das coisas que eu não sabia sobre as relações da web, estão aí as minhas respostas ao MEME que fui intimada a publicar:
Quatro trabalhos que tive em minha vida:
- monitora da Agência Experimental de Jornalismo Impresso da Unisc
- bolsista de projeto de extensão sobre Educomunicação
- repórter multiuso da Unisc TV
- repórter - quase multiuso - da TV Pampa/Record Santa Cruz do Sul
Quatro lugares em que vivi:
- São Vicente do Sul, nos primeiros dois anos de vida
- Santa Maria, nos dois anos seguintes
- Santa Cruz do Sul, por todos os outros anos
- Porto Alegre - ao que tudo indica, é a próxima base
Quatro programas de TV a que assistia quando criança:
- Sessão da Tarde, antes da revolucionária TV a cabo
- tudo do Cartoon Network, depois da gloriosa TV a cabo
- Castelo Rá-Tim-Bum
- Full House, na Warner Channel
Quatro programas de TV a que assisto:
- reprises de Friends
- reprises de Gilmore Girls
- telejornais
- CQC
Quatro lugares em que estive e voltaria: - Ilha do Mel
- Santos
- Rio de Janeiro
- Búzios
Quatro formas diferentes que me chamam: - Poli
- Popo
- Potogonsios (não me perguntem o que é, minha irmã inventou e, infelizmente, agora só me chama assim)
- Amor
Quatro pessoas que te mandam correios quase todos os dias: - Comunique-se
- Site Meter
- Mari
- spams
Quatro comidas favoritas: - leite condensado
- chocolate
- balas jelly beans
- pão com manteiga
Quatro lugares em que gostaria de estar agora: - na cama
- na sala, em Santa Cruz, com a lareira acesa e uma taça de vinho (tá bom, uma garrafa)
- num pátio, com um cachorro querido
- na Livraria Cultura, com um vale-presente de 10 mil reais
Quatro coisas que espero que esse ano eu possa: - trabalhar
- voltar a fazer yoga
- ler muito
- ser muito feliz
Quatro amigos para responder: - hmmm...vou quebrar a corrente. Quem quiser que se habilite.
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Um MEME não é exatamente a minha idéia de um post interessante, mas, neste caso, é uma boa apresentação da nova fase deste blog. O autobiográfico está de cores e layout novo - tem até uma frescurinha de música aí do lado e a imagem lá de cima mais mudar logo, logo. Eu faria muito mais, não fosse o meu bloqueio para o entendimento de htmls e afins. Minha mente deve ser muito anos 90 para a web 2.0. Então, está aberto o concurso:
SEJA O WEBDESIGNER VOLUNTÁRIO DO AUTOBIOGRÁFICO!
Até!